segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Desporto Automóvel Está de Luto

      Morreu o Duarte Nuno, um dos últimos dinossauros
   Olhando a tua carreira como um dos últimos dinossauros do nosso automobilismo de competição ao serviço do Grupo Desportivo Comercial, vou encontrar um vasto e rico dossier, não só como participante directo, quer à esquerda como à direita do volante, com início em 1972 no 8º Rally Internacional de São Miguel, formando equipa com Manuel Carreiro no Austin Cooper S, por sinal não terminando a prova, igual sorte tida um ano depois no Rally de Inverno, no mesmo carro mas com o Fernando Jorge Botelho no lado esquerdo. A tua primeira classificação ocorre em 1973no Rally Festas da Cidade, no quarto lugar ainda com o fiel Cooper S, navegado pelo Hermano Cabral. Neste ano e na Rampa das Pedras do Galego, és o vencedor absoluto com 1m 49 e 1/10s vencendo ainda a 5ª classe.

   Passando para o lugar de navegador, no ano de 1978, com Fernando Botelho no Porshe 911S, desistência no Rally Armazém Canadá, mas 6º lugar no Rally Internacional de São Miguel, e volvido um ano no mesmo Rally Internacional, desta feita navegando João Câmara no Opel 1904 SR, um brilhante 10º lugar à geral. Um quarto lugar com a mesma equipa em 1980 no Rally de Inverno e no Rally da Primavera, colocavam-se Duarte Nuno, nos lugares cimeiros do nosso automobilismo de competição, que sempre amas-te e ao qual te dedicaste de alma e coração. De novo em 1980 e no Rally Internacional de São Miguel, a mesma equipa e a mesma viatura de novo num brilhante 10º lugar. Esta carreira brilhante vem a terminar em termos de competição e segundo as minhas contas em 1985 com a desistência no Rally Caves Império, depois de no mesmo ano teres terminado o Rally da Primavera em 7º lugar com o Carlos Gonçalves em Renault 5r Alpine.
   Uma vez abandonada a competição, não abandonaste o automobilismo, passando para a parte técnica, onde foste comissário de provas dando o muito do teu saber e experiência á modalidade que tanto amaste e serviste ao longo da vida. Já com alguns problemas físicos, na sede do velho Comercial ali na Rua do Mercado, estavas à frente do bar, onde com amigos e entusiastas nos reunimos algumas vezes, em serões bem passados, alimentando a saudade, recordando o passado.
   Desculpa meu caro e velho amigo que aqui em registo incompleto, deixe um pouco do que foste e fizeste pelo Comercial e pelo automobilismo. Até nem falei da tua participação na modalidade de hóquei em patins no teu velho União Sportiva, mas só espero que pelo mais elementar dever de justiça, o teu e nosso Grupo Desportivo Comercial em tempo de aniversário, se lembre de homenagear a tua memória, como justo preito de gratidão ao teu passado. Sem favores o mereces. Obrigado amigo pelo que fizeste pelo desporto automóvel da nossa Ilha dos vossos Açores, e acima de tudo um abraço até ao fim dos tempos, pela nossa velha amizade, cimentada na escola do velho campo de São Francisco e seguida ao longo dos anos, pelas estradas poeirentas do nosso automobilismo.
   Até sempre Duarte Nuno!
(Escrito por João de Brito Zeferino, mas faço minhas as suas palavras)
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