terça-feira, 6 de abril de 2010

Estudo Estima Que Milhões de Tartarugas Morreram Nas Redes de Pesca

Artigo analisou 18 anos de dados globais da captura acidental dos répteis
Entre 1990 e 2008 morreram 85 mil tartarugas marinhas nas redes de pesca de todo o mundo devido à captura acidental. O número acaba de ser publicado num artigo da revista Conservation Letters e é a ponta do iceberg de um fenómeno que provavelmente atingiu milhões de indivíduos das sete espécies desta tartaruga.
   A equipa norte-americana liderada por Brian Wallace reuniu todos os trabalhos publicados em revistas científicas, em relatórios e que foram apresentados em conferências para definir o padrão global da captura acidental destes animais. No entanto a realidade descrita é apenas um por cento do que se passa nos oceanos.

   “Os relatórios que foram revistos cobrem menos de um por cento de todas as frotas, com pouca ou nenhuma informação sobre a pesca de pequena escala que acontece em todo o mundo. O que estimamos, de uma forma conservadora, é que a realidade total é provavelmente não de dezenas de milhares mas de milhões de tartarugas que foram mortas por bycatch [o termo inglês para pesca não selectiva] nas últimas duas décadas”, disse Wallace, que trabalha na divisão marinha da Conservação Internacional e na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, citado pela BBC News.
   Seis das setes espécies de tartarugas marinhas que existem em todo o mundo estão na lista vermelha das espécies ameaçadas. A poluição e a captura acidental, que causa ferimento mortais ou impede as tartarugas de virem respirar à superfície, são algumas das maiores ameaças para estas espécies, que por terem um ciclo de vida lento demoram a repor a população.
   “São números assustadores”, disse ao PÚBLICO Hélder Spínola, dirigente da Quercus. “Há três anos falava-se de 5 mil tartarugas mortas por ano devido ao bycatch só em Portugal”, recorda o ambientalista. Spínola explica que em Portugal a pesca através do palangre é a situação “mais preocupante”.
   O palangre é uma linha comprida com vários anzóis utilizada para pescar por exemplo o peixe-espada. Foi um dos três métodos de pesca, juntamente com a rede de arrasto e a rede de emalhar, que foram alvo dos vários estudos compilados neste novo artigo.
   Das várias regiões do mundo, o mar Mediterrâneo e a zona Este do oceano Pacífico são os casos mais preocupantes de captura acidental detectados. Os autores do estudo sugerem políticas de conservação para estas regiões que protejam as espécies, nomeadamente através da utilização de redes de pesca que salvaguardem estes animais.
   Para Brian Wallace “as tartarugas-marinhas são espécies sentinelas que mostram como os oceanos estão a funcionar.” Hélder Spínola concorda, referindo que estes animais “estão no topo da cadeia alimentar e são muitos sensíveis.” O ambientalista sublinha as vantagens em delimitar regiões para a protecção das tartarugas, já que “estas regiões acabam por proteger outras espécies que a partir daqui podem repovoar outras zonas com actividade piscatória”.
  - Nicolau Ferreira -
   - Público-Online -
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