sexta-feira, 19 de março de 2010

" VALE A PENA SER JORNALISTA???"

   Identificação, gosto, dom, qualquer que seja o motivo para alguém escolher a profissão de jornalista, o mais importante é saber: Vale a pena? Se esta for a dúvida, 44 jornalistas responderam que sim, por essas e outras razões. Esse resultado se contrapõe à pesquisa, também com 44 jornalistas, realizada para o Pós-Doutorado na USP que concluiu: profissão de jornalista deteriora qualidade de vida.
Está certo que, muitas vezes, o salário do profissional é abaixo do que deveria ser, o mercado de trabalho está cada vez mais restrito e o horário ultrapassa o que é permitido por lei, prejudicando a qualidade de vida. Porém, para os entrevistados, se os prós e os contras fossem colocados na balança, as vantagens pesariam mais do que as desvantagens do jornalismo.

Veja o que 44 jornalistas responderam à respeito:

Diretor Regional do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo - Alfredo de Souza: "Como dizia Rui Barbosa, pode faltar governo mas não podem faltar jornalistas. Daí, podemos ter a noção de como a profissão é importante. Preenche o ego por transmitir o que muitos gostariam de ter visto pessoalmente ou possui a informação que muitos gostariam de ter. Às vezes, deixa o repórter frustrado por não conseguir levar o seu texto para o público. É, também, desgastante, porque exige dedicação de cabeça, corpo e alma. Há, ainda, o desgaste devido ao assédio moral e à carga horária de trabalho. Por isso, acho que o jornalismo não é ruim, o problema são algumas pessoas que estão por trás dele.
Primeiro, tem que pisar em muitas pedras pontiagudas. Depois, quando estiver calejado, estará pronto para trabalhar em qualquer veículo. Não podemos esquecer que temos a arma mais poderosa: a caneta. Portanto, quem não se envolve e não opina, não é jornalista.

TV Mar - Fernanda Burger, repórter: "Sim. Quando você opta, não sabe o que vai encontrar. Não ganha bem, trabalha mais; porém, é muito legal tentar ajudar as pessoas". Carlos Lopes Silveira, repórter e apresentador: "Sim, vale a pena em qualquer profissão, desde que você goste. O jornalismo é apaixonante, mexe com a emoção, você aprende todos os dias. É gostoso ver o retorno do seu trabalho para a comunidade. Se uma pessoa for beneficiada, já é, para mim, tudo". Swami Pimentel, editor de texto e imagem: "Vale, se você gosta do que acontece, de estar bem informado. O jornalista tem contato com tudo, e isso é gratificante. Com todas as dificuldades (como demissões e salário baixo), é gostoso, tá na veia". Kuka Heradyor, repórter: "Se souber aproveitar, vale. Assim como em qualquer outra profissão, é preciso buscar as oportunidades". Ricardo Goya, produtor de esportes: "Vale. Tem muitos problemas, mas, o retorno está no prazer de achar que você pode melhorar". Tânia Maria: "Vale a pena, quando você gosta. Não sei se saberia fazer outra coisa". Claudia Castro, editora de texto: "Vale. Foi o que escolhi, gosto de escrever, pessoalmente me identifico. O jornalismo é um mecanismo de informação por ter poder em vários lugares, o que facilita as denúncias. Faz perceber que o buraco da rua é importante. Pouco a pouco mudamos". Gustavo Zanaroli, produtor e repórter: "Sim. Primeiro porque o jornalista adquire conhecimentos em diversas áreas. Segundo, pela satisfação pessoal de ver as coisas resolvidas. Terceiro, porque é gratificante ter o poder de acompanhar o que está certo e o que está errado, denunciando e informando a população". Flávio Righi – apresentador e diretor: "Sim, quando há vocação. Quando se gosta de trabalhar com texto e se tem vontade de melhorar a sociedade, formando os indivíduos".

Jornal A Tribuna – Fernanda Mello, repórter: "Sim, tudo vale a pena quando se gosta. Vale pelo crescimento pessoal e, também, pelo compromisso do jornalista de passar a informação". Luigi Di Vaio, repórter: "Sim. Embora haja alguns problemas, o jornalismo nos permite ampliar o leque de cultura pelo contato com diversas pessoas, sejam autoridades ou pessoas comuns. Temos o poder de ação". Rivaldo Santos de Almeida Júnior, repórter: "Vale a pena, mesmo com o desgaste emocional e físico. Pelo lado profissional, vale pela participação no processo político e social. O retorno e a repercussão da matéria geram satisfação". Carolina Muniz, repórter: "Sim, pois cada dia é um lugar diferente, não tem rotina. Além disso, vale o papel social de poder ajudar uma pessoa". Cristiane Lourenço, sub-editora: "Vale por que o jornalista está próximo de um problema e da solução dele. Isso significa que você dá uma chance de ajudar a comunidade. Com isso, percebemos que o jornalismo é o quarto poder". Lucas Tavares, colunista e repórter especial: "Vale pela oportunidade de vivenciar histórias das pessoas e retratá-las. A sensação de investigar e colocar para o público, vale muito. Isso mostra que podemos mudar o curso das coisas". Tatiana Lopes, repórter: "Vale para quem gosta. Você tem a possibilidade de conhecer lugares diferentes e pessoas novas. Porém, o jornalista tem que se submeter a algumas coisas que te deixam frustrado". Marcio Andrade, diagramador: "Sim, se você gosta, vale. É bom trabalhar não só pelo dinheiro. O jornalismo tem a função de formar e informar a população para que ela possa buscar os seus direitos". Carla Zomignani, editora: "Vale, se você gostar. É gratificante quando há o retorno, por saber que as pessoas estão sendo ajudadas a encontrar o seu caminho, saber que estou informando e tendo responsabilidade". Clea Noronha Reis, diagramadora: "Vale para quem gosta de enfrentar desafios e se adapta fácil às situações, pois não tem rotina. Para mim, informação é satisfação e superação pessoal". Ted Richard Paiva Sartori, repórter: "Quando a pessoa gosta e está satisfeita, vale a pena. Sempre que lida com o social, ajuda alguém, o jornalista se sente bem. O retorno social é gratificante". Vânia Lucia Augusta, editora: "Vale a pena se você não quer ficar rico. Não há retorno rápido. Por isso, ajuda se o jornalista tiver um pouco de idealismo". Lauro Tubino, editor: "O mercado está difícil, exigindo especialização. Mesmo assim, acredito que o jornalismo é o exercício da cidadania num país onde as pessoas não têm o hábito de exercer a cidadania". Eraldo José dos Santos, editor: "Vale a pena pelos desafios que você enfrenta. A vida é cheia de desafios e o jornalismo é um deles. O seu emprego está sempre em xeque e você sempre fica a disposição de chefes ignorantes e grotescos, que ganham o cargo por serem bajuladores. Mas a magia da profissão faz ela valer a pena". Leila Silvino, repórter: "Se você gosta de novidades, não tem interesse financeiro, adora viver aventura e tiver vocação, vale a pena. É necessário esquecer que tem família e estar sempre se dedicando à profissão. A única coisa que não muda é sempre ter que correr atrás da informação". Nirley Sena, repórter fotográfica: "Quando você gosta da profissão, mesmo com pouco campo de trabalho e o número elevado de demissões, o prazer de estar ajudando as pessoas e de participar de diversos cotidianos é muito grande". Edison Baracal, repórter fotográfico: "Se você trabalha com um ideal e gosta do que está fazendo, vale a pena, mesmo tendo que enfrentar diversos desafios. A profissão, hoje em dia, é muito difícil. O jornalista deve ser uma pessoa bastante equilibrada".

Jornal da Orla - Leandro Amaral, diagramador: "Vale. Gosto de trabalhar com a informação e da correria do dia-a-dia.

Jornal presença Diocesana - Guadalupe Corrêa Mota, repórter: "Sim. Vale a pena quando é uma opção de vida e não um campo de trabalho. É um espaço profissional onde você pode conhecer mais a realidade e ter uma visão crítica da sociedade. Também, é uma contribuição no campo social quando é um serviço para a sociedade".

Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Praia Grande - Edgar Dall’acqua, assessor: "Existe um certo glamour na profissão que leva as pessoas a se interessarem. Na realidade, não é bem assim. Porém, é uma profissão nobre, de responsabilidade e de utilidade pública como mediadora entre população e autoridades".

Jornal Gazeta do Litoral – Nádia Almeida, editora: "Vale, porque o jornalista é formador de opinião, ele contribui para a sociedade quando ele denuncia". Carmem Sanchez, repórter: "Se gosta, é gratificante. Às vezes, penso em desistir, daí faço uma matéria de uma criança que precisa de ajuda, por exemplo, e compensa".

O Estado de S. Paulo - José Rodrigues, repórter: "Sim. Mas, se for pensar em ficar rico, está enganado. Se entender que a profissão tem função social de agir na sociedade e na história, daí está certo. Quanto a dizerem que jornalista não tem tempo para a própria família: Quem não é feliz, não arruma tempo para conviver com a família. Então, ele será bom em que? ".

Jornal Espaço Aberto - Noemy Francesa de Macedo, editora: "Tudo na vida vale a pena. O fato de sermos os responsáveis, não só pela informação, mas pela formação das pessoas, e sermos multiplicadores faz o jornalismo ser o mais importantes dos benefícios".

Radio Litoral FM - Madô Martins, apresentadora do programa Vitrine Cultural: "É uma das profissões mais ecléticas. Dá acesso a todo tipo de pessoa, de profissional e de vida. É uma missão privilegiada de fazer as pessoas pensarem, de criar opinião e conseguir movimentar a população com o fornecimento de informações".

Rádio Cultura AM - Abissair Rocha, apresentador: "Depende de cada um. Se você tem um objetivo na vida e corre atrás do que sonha, vale a pena".

TV Tribuna - Cristina Guedes, apresentadora: "Sempre vale a pena quando você acredita em alguma coisa. Antigamente, o Jornalismo era mais produtivo. A má qualidade de alguns programas e de alguns profissionais faz a profissão não valer a pena. Falta uma melhor formação e informação dos jornalistas. Acabou muito do romantismo da profissão".

UniSantos - Robnaldo Fidalgo Salgado, assessor de imprensa: "O Jornalismo é uma profissão de fé, você ama ou odeia. Se o jornalista não estiver realmente envolvido com a profissão, não será um bom profissional e se tornará medíocre. Os medíocres se arrependem de ser jornalistas". Ercília Pouças Feitosa, assessora de imprensa: "Sem dúvida, vale a pena ser jornalista. Com certeza, se não valesse, eu não estaria na profissão há 33 anos e nem teria feito uma escola de jornalismo. Digo-lhe mais, neste período todo, tive a oportunidade de fazer mais dois cursos de comunicação: relações Públicas e publicidade e ainda pós-graduação na área de comunicação social. Com tudo isso, tenho certeza de que continuaria convictamente sendo jornalista. Creio que seja por vocação. Gosto de ouvir as pessoas, de conhecer suas histórias e estórias. Os fatos e ser instrumento, de certa forma, para ajudar a melhorar o mundo, ou modificar as pessoas. Acredito que o jornalista, que faz sua profissão com seriedade é capaz de grandes coisas, desde que não se julgue o dono da verdade, nem seja prepotente e orgulhoso, mas suficiente sábio para reconhecer suas limitações, perguntar aquilo que ignora e para aprender tanto com o ignorante quanto com o sábio realmente, com a criança ou com o animal . Com certeza, se tivesse necessidade de novamente escolher uma profissão, gostaria de ser jornalista".

FMA - Fábio Maradei Assessoria de Comunicação – Fábio Maradei, assessor: "Trabalho com esportes radicais, uma área que eu gosto. É uma profissão bem dinâmica, sempre vejo coisas novas".

Boas Palavras Serviços Jornalísticas - Acáccio Silva, assessor: "Vale a pena. Como toda a profissão, depende da pessoa. Qualquer um pode ser jornalista, as atitudes de cada profissionais fazem a diferença".

Laffiti Comunicação Integrada - Flávia Andréa Bogotti, assessora: "Hoje não consigo me ver fazendo outra coisa. É uma carreira muito difícil, o profissional precisa ter muita perseverança". Sérgio Luiz Corrêa, colunista: "Jornalista não fica rico, mas é gratificante. Porém, o importante é fazer o que gosta, com dignidade e dedicação".

Agora Digo Eu - "Vale sempre a pena, quando o objectivo é informar!
Como é este o caso. Publíco este artigo, porque acredito nele, e penso que os acompanhantes deste blog querem informação. Esta, penso eu, tem o valor que o blog merece e... quer!".
- Jonas Serras de Morais e Lívany Avino Salles -
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