sexta-feira, 12 de março de 2010

Malária. Cientistas Portugueses Registam Patente nos EUA.

   A descoberta das propriedades antimaláricas desses compostos foi feita pela equipa liderada pela investigadora Maria Manuel Mota, agora do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, mas que na altura se encontrava no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras. Mais tarde, a empresa de biotecnologia Alfama, presidida pelo investigador Nuno Arantes e Oliveira, adquiriu os direitos sobre a patente ao IGC. Agora, a empresa viu a patente atribuída pelo Gabinete de Patentes dos Estados Unidos, que reconhece também como inventores Maria Mota e a sua equipa.

   Os compostos actuam na fase silenciosa da infecção da malária, ainda antes do aparecimento dos sintomas. A malária é transmitida aos seres humanos através da picada de mosquitos infectados pelo parasita “Plasmodium”. Numa primeira fase, sem sintomas, o parasita viaja até ao fígado, onde se replica, para em seguida ser libertado na corrente sanguínea. Numa segunda fase, o parasita infecta os glóbulos vermelhos, para novamente se replicar aí. É quando os glóbulos vermelhos se rompem que surgem os sintomas da doença, como ataques de febre, suores, arrepios e até a morte.
   A descoberta agora patenteada identifica a capacidade da genisteína e de outros compostos para inibirem a progressão da malária na fase de replicação no fígado, que, embora silenciosa, é essencial no estabelecimento da infecção. E poderá contribuir para o desenvolvimento de uma alternativa prática, barata e eficaz na luta contra a malária, segundo refere um comunicado de imprensa do IMM. Esta identificação foi feita através de experiências em células e ratinhos, e agora será preciso avançar para ensaios em seres humanos.
   A luta contra a malária não tem sido fácil: a toxicidade, o custo elevado dos medicamentos e a dificuldade na sua distribuição encontram-se entre os obstáculos enfrentados na erradicação desta doença, que infecta por ano 200 a 500 milhões de pessoas no mundo e mata um a dois milhões. Nas regiões onde a doença é endémica, principalmente em África e Ásia, as populações que aí vivem não têm à disposição tratamentos preventivos eficazes.
   Será a Alfama a desenvolver e explorar algum tratamento com base na identificação dos compostos. “[A empresa] espera encontrar parceiros, entre fundações e empresas multinacionais, para prosseguir o trabalho e pôr em prática ensaios de campo, que permitam provar o efeito da genisteína contra a malária em seres humanos”, diz Nuno Arantes e Oliveira, citado no comunicado. “A aceitação final e publicação de uma patente nos Estados Unidos por um grupo português não é usual e significa que a originalidade e potencialidade do nosso trabalho foram reconhecidas”, sublinha, por sua vez, Maria Mota.
 - - Teresa Firmino - -
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