terça-feira, 30 de março de 2010

Quantos profs foram às manifs? (vídeo)

Uma empresa espanhola desenvolveu uma tecnologia para contar aglomerações que calcula com um rigor matemático o número de manifestantes nas ruas. Veja como funciona.


É uma tecnologia única a nível mundial. Quem o garante é Juan Manuel Gutiérrez, director da Lynce, a pequena empresa de Bilbao que desenvolveu um sistema para contar manifestações e outro tipo de aglomerações humanas.

Cansado das guerras de números, como aquela que em Portugal colocou frente-a-frente sindicatos dos professores e Ministério da Educação em Novembro de 2008, e ciente de que a tecnologia disponível poderia resolver acabar com elas, Juan Gutiérrez desafiou alguns programadores seus amigos a conceberem um conjunto de algoritmos que permitissem reconhecer numa fotografia de alta resolução as formas de um ser humano: dois ombros e uma cabeça. E foram para a rua testar a tecnologia.
Os resultados alcançados nas cinco primeiras manifestações que contaram, ainda sem qualquer cliente, mostraram que estavam no bom caminho para colocar um ponto final nas guerras de números.

"Não temos cor"

Em 2009 chegam a acordo com a agência espanhola da notícias EFE, tendo já coberto diversas manifestações como por exemplo aquela em que 9.726 pessoas, segundo a Lynce e 600.000 de acordo com os organizadores, protestaram a 7 de Março em Madrid contra a reforma da Lei do Aborto.
A 23 de Fevereiro, no protesto contra a alteração da idade de reforma, também em Madrid, marcharam entre a Praça de Neptuno e as Portas do Sol 15.381 pessoas pelas contas da Lynce enquanto que os sindicatos avançaram com 60.000.
De tão díspares, os números suscitaram a ira de sindicatos e outras organizações da sociedade civil espanhola. Mas a Lynce garante que não tem ideologia.
"Lynce não conta mais cabeças se aqueles que se manifestam são de direita, de esquerda, do centro ou do extremo. Para nós é igual. Somos sociólogos. Procuramos a verdade sociológica e como tal não temos cor", afirma Juan Manuel Gutiérrez.
 - Carlos Abreu e Fernando Pereira -
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