quarta-feira, 17 de março de 2010

Rapaz de 11 anos Expulso por Declarações do pai.

Os pais de um atleta dos infantis do Sport Clube Mirandela acusam a direcção de ter usado "violência psicológica" para com o filho por ter sido expulso das camadas jovens com o argumento de que o pai "falou de assuntos que só dizem respeito ao clube".
O caso remonta a 19 de Fevereiro, data em que terá havido uma reunião entre o presidente do clube, directores e pais de atletas de camadas jovens, da qual resultou a exclusão do rapaz de 11 anos, que vestia as cores do Mirandela há três anos. Na carta enviada aos pais do jovem, é explicado que a expulsão ficou a dever-se ao facto de o pai "ter falado de assuntos que só dizem respeito ao clube e tentado permanentemente iludir alguns pais de factos relacionados com a formação", diz a missiva.
A mesma carta nega que a exclusão tenha a ver com o atraso no pagamento das mensalidades, que os pais liquidaram, entretanto.
"Simplesmente, não posso acreditar que se ponham em causa princípios proclamados na declaração dos direitos da criança", diz Fátima Ramos. Na carta, o clube deixa uma porta aberta: "Querendo para a próxima época regressar, só depende do comportamento do seu pai até ao início da mesma", pode ler-se.
"Pergunto-me como é possível uma criança de 11 anos ser excluída de um grupo de trabalho sem dó nem piedade pelo suposto comportamento do pai", questiona a mãe. Fátima Ramos considera que o assunto devia ser tratado entre a direcção e o pai, nunca envolvendo a criança. Até porque o pai é sócio do Mirandela e "seria mais fácil exclui-lo ou denunciar às autoridades o seu alegado mau comportamento", afirma.
"Decisão injusta"
Para aquela mãe, a direcção do clube tomou uma decisão "injusta", considerando que existe "uma clara discriminação". "Parece-me claro ter existido coacção moral, psicológica e discriminação sobre a criança, que tem apenas 11 anos. Está em pleno desenvolvimento de capacidades físicas e psíquicas e, segundo a própria direcção, nada fez para ser excluído, estando portanto a ser vítima de uma enorme injustiça", avança Fátima Ramos.
A mãe também já deu a conhecer o caso à Câmara, entidade que concede subsídios ao clube e já solicitou apoio psicológico para o filho, à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.

 - Fernando Pires / JN -
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