quarta-feira, 10 de março de 2010

Última Aula... "A política já não manda..."

  O filósofo José Gil olha com pessimismo para o actual estado da sociedade portuguesa e constata, por exemplo, que a política «já não manda» e que esse facto tem consequências na democracia portuguesa.
  «Há uma erosão geral na democracia, no tipo de governação dos Estados e isto por múltiplos factores que vão desde a maneira como se fazem as campanhas eleitorais até à primazia da economia global sobre a política nacional», explicou este professor.
  Ouvido pela TSF, José Gil, que dá esta quarta-feira a sua última aula no Departamento de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa, lembrou ainda que a política «em campos decisivos já não pode tomar decisões que vão contra os imperativos da globalização».
  Para este filósofo, em Portugal «há um movimento de tomada de consciência de uma espécie de injustiça da sociedade, história e da governação que não pode ser outra porque não há alternativa», o que leva a que possa haver «revoltas pequenas ou grandes».
  «As pessoas estão cada vez mais descrentes das instituições. O que se passa com a Justiça em Portugal, toda a gente o diz e eu repito, é muito grave. As pessoas não acreditam na Justiça. Quando uma sociedade começa a não acreditar na Justiça, isto pode dar muita coisa má», recordou.
  Este filósofo considera ainda que «as pessoas interiorizam mais facilmente iniciativas autoritárias e vindas de cima e obediência de tal maneira que já não querem mais democracia».
  «A situação tornou-se tão precária que já não se protesta ou quando se protesta não se tem resposta e resignam-se», adiantou José Gil.
  Este professor entende ainda que o sistema educativo está longe de criar pessoas suficientemente qualificadas para enfrentar o futuro e que está cada vez pior.
  - TSF OnLine -