sexta-feira, 25 de junho de 2010

MIUCCIA PRADA... COMUNISTA???

PRADA, A FASHIONISTA RELUTANTE

Detestava a moda e a sua futilidade. Foi membro do PC italiano e uma fervorosa feminista. Hoje, Miuccia Prada é a alma da marca de luxo que abriu na semana passada a primeira loja em Portugal.
Basta dizer que alguém veste Versace, Dolce & Gabanna ou Chanel para logo surgir na cabeça de um vagamente entendido em moda uma imagem imaginária de uma mulher sexy ostensiva, de um futebolista endinheirado piroso ou de uma pessoa sóbria e discretamente elegante.
Por isso, quando Lauren Weisberger teve de escolher uma marca que resumisse num título tudo o que é Anna Wintour, a lendária editora da "Vogue" americana, a tarefa não era fácil. Ficaria assim eternizada numa palavrinha a essência daquela mulher, a dama-de-ferro que é considerada a mais influente personalidade do mundo da moda. Ela que só gosta do melhor, ela que define tendências, ela que é fria, elegante, inteligente e implacável. Não foi obviamente à toa que escolheu a Prada.
No filme "O Diabo Veste Prada", inspirado no livro com o mesmo nome, Meryl Streep diz que a marca é a única razão por que vale a pena ir até à semana de moda de Milão. De uma peneirada, varreu da face da terra todas as famosíssimas marcas italianas e pôs num pedestal aquela que, para muitos, é a mais importante marca de moda europeia, que abriu na semana passada a sua primeira loja em Portugal na Avenida da Liberdade.
A alma desta casa é, sem sombra de dúvida, Maria Bianchi Prada, conhecida como Miuccia Prada, a eterna outsider no mundo da moda que aponta as pistas pelas quais muitos outros vão seguir nas estações seguintes. De todos os designers de moda, provavelmente nenhum tem um percurso mais insólito nem personalidade mais complexa.
Miuccia nasceu no seio de uma família endinheirada de Milão, mas depressa se interessou pelos ideais de esquerda. Foi membro do Partido Comunista Italiano e uma ardente feminista nos seus anos de universidade. Ao contrário de muitos outros estilistas, ela não estudou nada que se parecesse com corte e costura. Cursou ciência política e discutia Marx e Engels com fervor.
A cultura era outra das suas paixões. Durante quatro anos estudou para mimo no Teatro Picolo de Milão. Mas o tempo encarregar-se-ia de lhe pôr no caminho uma outra forma de se expressar sem precisar de falar. Por ironia do destino, haveria de fazer carreira na moda, essa coisa que ela no passado desprezara. Miuccia considerava a moda um mundo fútil, inconsequente e superficial, uma visão comum numa corrente de esquerda alternativa ligada à cultura e às artes.
O seu apurado sentido estético, no entanto, esteve sempre lá. Distribuía panfletos ideológicos pelas ruas da cidade vestida num discreto e elegante fato YSL. "Gostava e fazia moda por instinto", diz à "Única" em entrevista exclusiva.
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 - Expresso-Online -
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