quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Córnea Artifical Pode Acabar Com Espera Para Transplante

A SOLUÇÃO PODERÁ ESTAR MUITO PRÓXIMA
CÓRNEA ARTIFICIAL

Investigadores desenvolveram em laboratório implantes feitos a partir de tecido humano que já permitiram a dez pessoas recuperar a visão. O novo método tem enormes vantagens: evita a espera por um dador compatível e reduz riscos de rejeição.
Ao longo dos anos, os cientistas têm batalhado para encontrar um método que acabe com as longas listas de espera para o transplante de córnea (camada mais superficial e central do olho), que permite aos doentes recuperar a visão. Os dadores não são em número suficiente e, embora já existam transplantes de córneas artificiais, nem todos as toleram. O grande desafio tem sido conseguir um produto que provoque menos infecções e rejeições.
Segundo a edição da revista Science Translational Medicine, a solução poderá estar muito próxima. A partir de córneas artificiais à base de colagénio (tecido humano), uma equipa de investigadores suecos e canadianos conseguiu que dez pessoas voltassem a ver perfeitamente. A novidade está no material usado, que, por conter genes humanos, não é rejeitado pelo organismo.
A perda da visão devido a doença ou lesão na córnea atinge mais de dez milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, cerca de 200 mil pessoas sofrem de problemas de córnea e, destas, perto de mil estão em lista de espera para um transplante.
Os especialistas portugueses mostram-se entusiasmados com a descoberta, mas chamam a atenção que a investigação ainda está numa fase muito preliminar.
"As córneas para transplante são colhidas de dadores cadáveres, estudadas previamente quanto à compatibilidade ou não. No entanto, a procura é muito superior às córneas colhidas", constata Mun Faria, do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Durante a investigação, os médicos retiram cirurgicamente a parte danificada da córnea de dez doentes e substituíram-na pelo implante biossintético à base de colagénio. Durante 24 meses, a massa artificial criou o ambiente ideal para que as células e nervos do olho se multiplicassem, da mesma forma que acontece com as córneas de dadores.
Embora o estudo tenha sido feito apenas em dez pessoas, Luís Gouveia Andrade não tem dúvidas sobre a sua validade "É, de facto, uma amostra muito reduzida que deverá ser reforçada por estudos adicionais. Apesar de tudo, os resultados são importantes porque os doentes foram acompanhados durante dois anos."
  - Science Translational Medicine -